Agosto chega com um convite quase óbvio: voltar para si. Uma frase bonita, fácil de repetir, difícil de praticar. Porque existe algo que raramente contam sobre esse retorno: ele não acontece por acúmulo. Acontece por desaprendizagem.
Voltar para si não é lembrar quem você sempre foi. É, antes de tudo, desmontar tudo o que você aprendeu a ser para continuar servindo bem a todo mundo, menos a você mesma.
Desaprender a se explicar demais. Desaprender a pedir licença para existir do seu próprio jeito. Desaprender que descanso precisa ser “merecido”, como se cansaço fosse crédito, e não sinal.
semfiltro: muitas de nós fomos treinadas, desde cedo, a confundir disponibilidade com valor. A achar que ser útil é a mesma coisa que ser amada. Que dizer “sim” é sinônimo de ser boa. Que desaparecer das próprias necessidades é prova de maturidade.
Não é.
É só um hábito antigo, ensinado com afeto e sustentado por culpa. E todo hábito, por mais entranhado que esteja, pode ser desaprendido.
Desaprender pesa, sim. O corpo estranha o silêncio depois de anos de ruído. A mente cobra o cansaço quando o cansaço é o único jeito que ela conhece de provar que está fazendo o suficiente. Voltar para si exige atravessar esse desconforto sem confundi-lo com fracasso.
E há uma pergunta que ajuda a atravessar: isso que você está fazendo agora, você faria do mesmo jeito se ninguém estivesse olhando?
Se a resposta for não, talvez o gesto não seja seu. Talvez seja apenas o que aprenderam a esperar de você.
Voltar para si, então, não é vaidade. É honestidade. É tirar camadas que nunca foram suas: expectativas emprestadas, papéis assumidos por hábito, silêncios que você nem lembra de ter escolhido.
Na Verse, acreditamos que essa volta não pede pressa nem discurso. Pede tempo, repetição e permissão – a permissão que, no fim, só você pode dar a si mesma.
E talvez o desaprender mais importante seja este: entender que voltar para si não é chegar a um lugar novo. É parar de se afastar do lugar onde você sempre esteve.
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Aqui você não precisa explicar nada, só chegar.
Com carinho,
Vanessa